Ok, sei que o título soa como nome de filme pornô da série “Brasileirinhas”, mas fiquem tranquilos, pois não é nada disso (imagino quantos não devem ter se decepcionado a ponto de terem fechado a janela do navegador após esta notícia...)
O fato é que excepcionalmente, resolvi postar um texto de teor narrativo, ao invés dos tradicionais dissertativos de sempre, por querer compartilhar (ou apenas exteriorizar, já que ninguém lê essa bagaça mesmo) uma pequena sequência de eventos inusitados ocorridos em minha última incursão laboral pelos interiores de Minas Gerais. Bem, pelo menos para MIM, pareceram inusitados....Não sei se conseguirei transmitir a mesma impressão por meio de um texto escrito, mas como não me custa nada, a não ser alguns minutos, tentá-lo-ei. Ademais, creio que será bom quebrar um pouco esta atmosfera pesada e “polêmica” que caracteriza meu blog, com algo um pouco diferente, e com sorte, quem sabe até divertido...
Tudo começou terça-feira, quando fomos (minha chefe e eu) para Belo Horizonte de carro (saindo de Ribeirão Preto)... Não é longe... Como diriam alguns dos protagonistas desta narrativa, é um “tirim de espingarda”...Não que seja perto...Mas realmente, o conceito de distância muda muito conforme o contexto, de modo que desde que iniciei-me nesta vida de “caixeiro viajante”, 500 e tantos km não me parecem muita coisa. No mais, a condição não muito boa das estradas e o excesso de caminhões, são compensados por algumas belas paisagens, tal como ao se passar por Passos (trava-língua?), de onde me deu certa saudade, a ponto de eu já estar planejando voltar lá em breve.
Mas bucolismos à parte, o fato é que precisaríamos rodar muito por lá, portanto, fomos de carro. Ponto final. Até quarta-feira, tudo correu bem...Ficamos por BH mesmo, cumprindo o planejado, embora alguns de nossos objetivos não tenham sido plenamente atingidos, o que não vem ao caso... Entretanto, havíamos planejado passar a noite da quinta-feira já na cidade onde teríamos um compromisso matutino na sexta, sendo esta megalópole chamada Oliveira. Eu até já havia ouvido falar dela, mas com tão pouca importância, que eu não saberia sequer dizer se fora numa página da sessão policial de um jornal, ou simplesmente ao correr os olhos descompromissadamente algum dia pelo mapa do sul mineiro.
Diante disso, deixamos BH quinta-feira por volta de 17h, esperando chegar ao destino por volta de 18h30, considerando os 160 km que separam as duas cidades. Foi aí que a coisa começou mesmo a desviar da rota planejada (ou ao menos, imaginada)...Após uma viagem não muito agradável (pois não conhecíamos a estrada, e como já disse, o excesso de caminhões é estressante), já bem próximos ao destino (cerca de 10 km antes da saída para Oliveira) fomos surpreendidos por um congestionamento, não daqueles do tipo anda-pára, anda-pára, comuns em São Paulo na hora do rush, mas sim aqueles nos quais se desliga o carro e se “apeia” para ver o que está acontecendo... Tratava-se de um tombamento de uma carreta de refrigerantes (o que viemos a descobrir só mais tarde, quando passamos pelo local) entre as duas pitas, o que acabara por interditar ambas, fazendo com que ninguém transitasse em nenhum dos dois sentidos.
Em virtude de não ter certeza do que havia acontecido quando paramos, decidimos entrar no posto que margeava a rodovia (que por sinal é a Fernão Dias), para “fazer hora”, e quem sabe, com sorte encontraríamos a coisa toda já normalizada quando retornássemos... Pois entramos, aliviamos nossas bexigas, tomamos um lanche leve pré-jantar (no meu caso, coxinha de frango com catupiry, muita pimenta e coca-zero), e cerca de meia hora depois, estávamos do lado de fora, contemplando a fila de veículos parados que agora já estava mais que o dobro do tamanho da inicial.
Depois do pensamento comum e simultâneo (“fudeu”), decidimos tentar posicionar-nos em algum lugar da fila, passando por dentro do posto (onde já estávamos). Aí é que já começaram alguns fatos peculiares...O posto, apesar de pertencer à bandeira Graal, estava abarrotado de caminhões (o que não é comum para postos com este perfil, como bem sabem aqueles que costumam viajar). Arrisco-me a dizer que havia mais caminhões e carretas do que carros de passeio...Ou pelo menos havia esta impressão, o que pode ter sido facilmente tendenciado pelo volume que ocupam. Isto provavelmente deu-se pelo fato do posto ter uma área de “apoio” ao caminhoneiro, daquelas com chuveiros, pias, zona de descanso, “meninas” circulando, etc. E claro, também ao fato de que muitos fizeram o mesmo que nós, ou seja, pararam por lá ao invés de fazê-lo na pista, até que vissem o desenrolar dos acontecimentos.
Ao lado do posto de combustível propriamente dito (neste caso delimitado pela cobertura acima da área das bombas), havia um grande pátio, todo recortado por caminhos feitos com fitas plásticas (daquelas listradas em amarelo e preto, típicas das cenas de crime que vemos em filmes) amarradas a estacas de ferro (pedaços de vagalhões utilizados em obras, fincados entre os paralelepípedos). Disputávamos este espaço para chegar à saída do posto, tentando respeitar os limites impostos pelos caminhos de fitas, embora os mesmos estivessem claramente mal projetados. Neste momento, apareceu o primeiro personagem desta “trama”...Enquanto esperávamos (ainda dentro do carro), surgiu um enorme caminhão vermelho e emparelhou com nosso veículo, chegando bem próximo... Abriu-se a porta, e uma voz aparentemente amigável, com um sotaque paranaense carregado disse algo como : “Desculpa aí amigo...Enchi vocês de poeira, né...”. Pois bem, a introdução amistosa fez com que eu trocasse algumas palavras com o cara, que logo desceu de sua boléia, revelando-se ao lado do carro.
O cara era magro, meio calvo, uns 45 anos mal vividos, com uma aparência cansada, porém agitada... Típico de quem está sob o efeito de “rebites” por algum tempo. Pra quem não sabe, refiro-me aos “medicamentos” comumente utilizados por estes profissionais para tirar o sono e permitir-lhes conduzir durante dias e noites ininterruptas sem dormir. Geralmente são à base de anfetaminas, e representam um grande perigo às estradas, pois apesar de suprimirem o sono, não fazem o mesmo com a perda de reflexos e coordenação motora, atenção, cansaço muscular, etc. Em resumo, o cara fica meio “zumbi”...Os olhos não se fecham, mas o corpo falha... E assim estava ele, com os olhos vermelhos, mareados, porém abertos, como se a sobrancelha houvesse feito uma aliança estratégica com os músculos da testa, para que ambas puxassem para cima as pálpebras não as deixando fechar... O cara estava agitado, andava para os lados, xingava o posto por ter colocado as faixas, xingava o congestionamento... Na verdade, na hora em que o vi, lembrei-me daquele negão do filme “Meu nome não é Johnny”, que chega alucinado de cocaína na cela onde o protagonista estava preso, que por sua vez, diz pra ele: “Sossega cara...Tu ta parecendo o Mick Jagger...”.
Pois o “Truck Jagger” ora falava sozinho, ora conosco (sem muita resposta), ora com o caminhão, ora com alguém dentro dele, que parecia ser uma mulher...Sendo que numa destas falas direcionadas a nós, ele diz, abrindo aquele compartimento lateral da carreta, onde se guardam utensílios, alimentos, dentre outros bens de necessidade em geral): “Vamo tomá uma sopinha?”. E então tirou e lá um fogareiro, um bujão de gás e uma panela, dizendo: “Vou ali lavar minha panela, e quero só ver se alguém vai falar alguma coisa..”. Eu respondi com um sorriso contido, e um “valeu, já comi ali...” e pensei algo como “putaqueopariu, onde é que eu tô...” Ah, antes da sopa, em meio a sua revolta, ele havia arrebentado com as mãos todas as faixas plásticas que circundavam nossos veículos, e atirado longe uma das estacas metálicas, o que provocou um alto tilintar do ferro contra pedra. Confesso que fiquei contente, ainda que um pouco apreensivo com esta ação, pois sabia que no momento certo, seríamos beneficiados por ela.
Logo após a recusa do convite para a sopa, surgiu uma van branca, dessas do tipo Kangoo, ou Doblô, e parou bem na nossa frente...Não exatamente alinhada a nosso carro, mas meio na diagonal...Entre nosso carro, e outro caminhão que estava do outro lado (dessa vez, um azul)...Olhei a van, mas não me ative ao que estava escrito nela...Até que o motorista do “trovão azul” desceu, e vindo a mim (ainda vou entender esta identificação dos caminhoneiros para comigo), disse: “Eu bato enxada, mas não pego um trabalho desses”, apontando para a van com a cabeça... Neste momento, descia dela um rapazote magrelo, usando luvas pretas, e ao acompanhá-lo visualmente até a parte de trás do veículo, pude ler: “Serviço Funerário Particular”. Pensei, “bom, pelo menos esse que está aí dentro não tem pressa, né...”. O caminhoneiro foi lá conversar com o magrelo, e o mesmo abriu as portas traseiras do veículo, revelando sua “carga”...Não se tratava de um caixão, mas sim de uma daquelas gavetas metálicas, na qual editava-se o cadáver.... Eu fico até imaginando qual teria sido o diálogo que fez com que o funcionário abrisse as portas da van...Ora, para QUÊ ele precisaria fazer isso?? Deve ter sido algo como:
Caminhoneiro: “ Tem defunto mesmo aí amigo?”
Motorista do rabecão: “Tem sim”
Caminhoneiro: “Ahhh, fala sério... Duvido”.
Mr. “Driving Miss Dead Man”: “Então olha”… e abriu.
Não satisfeito em compartilhar comigo sua análise inicial sobre a temática do serviço fúnebre, o caminhoneiro, já no trajeto de volta a seu ganha-pão sobre rodas, indaga-me: “Viu só como tava inchado??”. Não respondi (até porque, não tinha visto muita coisa mesmo).
Às 20h, ou seja, uma hora após termos parado, o trânsito foi liberado e seguimos viagem. Só então, como eu disse, ao passarmos pelo local do acidente, pudemos ver que se tratava de uma carga de refrigerantes (Guaraná Kuat, para ser mais preciso), que havia sido rapidamente saqueada pela população local. Aqui não posso deixar de fazer um comentário... Acho que algum dia deveriam realizar um estudo sobre a dinâmica populacional por trás destes saques de cargas tombadas. Primeiro, porque muitas vezes não há povoados ou cidades tão próximos, a ponto de ouvir-se o ruído do acidente... Segundo, porque a difusão da informação (de que houve um tombamento, e tem “coisa boa” na pista) dá-se com uma velocidade incrível...Não só rapidez de informação, como de deslocamento de pessoas e mercadorias... São centenas delas que surgem do nada, munidas de sacolas, carrinhos de supermercados, malas de viagem ou da própria camiseta usada como bolsa marsupial, e que promovem a remoção de toneladas de produtos em uma agilidade incrível...Um verdadeiro case logístico, que deveria ser investigado.
Bom, passado tudo isso, chegamos a Oliveira...Minha chefe disse algo como “até que enfim...que viagem...” E eu lhe respondi sabiamente (neste momento, desejaria não ser tão sábio): “Calma...A noite ainda não acabou...E muita coisa ainda pode acontecer...Só acaba quando eu deitar minha cabeça no travesseiro”....Quisera não estar tão certo....
Colocamos o endereço do hotel no GPS, mas não o encontramos de primeira. Resolvemos lançar mão do GPS de nossos antepassados, no qual encosta-se o carro junto a um habitante local e inicia-se uma sentença com um “Por favor....poderia me dar uma informação..?”. Realmente, e quem o possui há de concordar, quanto menor a cidade, maior a falta de noção por parte do GPS, e conseguintemente, maior minha vontade de defenestrá-lo. (atirar alguém ou algo janela afora, violentamente, segundo o Houaiss). Pois bem, chegamos ao hotel, e novamente, surge uma sintonia de pensamentos, desta vez também verbalizados: “É AQUI????????”. Tratava-se de uma portinha que levava a uma escadaria, que por sua vez conduzia à recepção do hotel...Constituído na sobreloja de uma esquina comercial, cuja base era composta por um bar, e mais dois estabelecimentos já fechados devido ao horário, o mesmo era identificável por meio de um banner luminoso (backlight) na vertical junto à porta: “Novo Hotel”.
Passado o choque, desci (do carro) e subi (a escadaria) rumo à recepção a fim de perguntar (embora sem muita esperança) se havia algum estacionamento...Para minha surpresa, o não tão simpático, porém, atencioso recepcionista (que por sinal também desempenhava uma outra função menos importante, ou seja, a de proprietário do empreendimento), disse-me que sim, havia estacionamento...Mas como em geral toda “boa notícia” anda de mãos dadas com sua irmã má, ele me conduziu até a janela para indicar-me a entrada da garagem conveniada, que nada mais era um portão de algo que parecia um terreno baldio, cujo interior não se via, primeiro devido ao breu em que se encontrava, segundo em virtude da entrada ser em declive. Antes de descer, tive a brilhante (e óbvia) idéia de perguntar no hotel onde haveria um lugar bom para comer alguma coisa... Idéia muito boa em 99% dos logradouros deste país, estando dentro do 1% restante, o município de Oliveira – MG.
O lugar indicado, por meio de uma detalhada explanação, pois a solicitação do endereço exato para fins de alimentação de GPS foi totalmente ignorada, como se houvesse sido feita em outro idioma, chamava-se “Bar do Manzinho”, e minha acompanhante recusou-se a sequer passar mais devagar diante dele para uma análise visual. Retornamos, assim, para o hotel, pois notáramos que bem próximo a ele havia algum tipo de estabelecimento gastronômico....Talvez uma pizzaria. Estacionamos no terreiro-ribanceira, cujo piso era formado por pedriscos e mato, sobre os quais arrastar as malas de rodinhas foi como fazer um Rally Paris-Dakkar na categoria Samsonite. Subimos para o hotel só para fazer check-in (que consistiu em falar nosso nome, imediatamente riscado numa lista escrita a mão, e apanhar as chaves, penduradas em um grande chaveiro metálico e barulhento), largar as coisas no quarto para então descer para “jantar”. Agora, porém, ainda teríamos de enfrentar mais um lance de escadas (contando o primeiro, que se inicia na rua), carregados com nossas malas. O dono-recepcionista resolveu ajudar minha boss a subir sua mala (após ser solicitado para isto, claro), e eu me virei bem com a minha, que tinha aproximadamente ¼ do tamanho de sua versão fêmea. Foi então que veio outra sequência de mini-surpresas, que até teriam sido mais impactantes, caso já não estivéssemos esgotados e refratários a este tipo de constatação. A primeira delas ocorreu primeiro à boss, que já estava abrindo sua cela em companhia do “recepdonista”, enquanto eu ainda caminhava pelo corredor olhando as numerações das portas, procurando pelo número 13 (nessa hora eu bem que poderia ser o Zagalo e ter um pouco de sorte com este número...). Embora a uma certa distância, pude ouvi-la dizer em voz alta (quase um grito...ou ao menos um tom de voz superior ao normalmente utilizado): “NÃO TEM AR????” Não, ela não estava referindo-se a uma suposta câmara à vácuo, mas sim à falta de um aparelho de ar condicionado, neste caso, substituído por um mini-ventilador de mesa da marca Britânia. Neste momento, eu já havia perdido a contagem dos “ih, fudeu...” Na verdade nem pensava mais isso...Só achava graça...
Bem, a fome, o cansaço, e a vontade de acabar logo com aquele dia (antes que ele o fizesse comigo) fizeram com que eu quisesse descer o mais rapidamente possível, logo, nem quis me preocupar com a falta do ar, com a toalinha, ou melhor, “toalixa” em cima da cama, nem com os travesseiros em forma (e consistência) de sacos de estopa....Afinal de contas, nosso lema, acidental, porém, realisticamente criado era “a noite ainda não acabou”....Restava-nos ainda a experiência do jantar...
Arrastamo-nos rumo à pequena pizzaria, que tinha mais um jeitão de boteco interiorano (desses com disputadas mesas nas calçadas, devido à brisa noturna que ameniza a sensação térmica de 42º para agradáveis 35º ), e para nossa surpresa, notamos que o lugar estava operando próximo a sua capacidade máxima...Na verdade, tivemos a “sorte” de pegar a última mesa na calçada... Foi quando o jovem garçom, que aparentava uns 14 anos, perguntou-nos se participaríamos do “rodízio”...Sob a bagatela de R$ 10,00 por pessoa, pensamos: “Por quê não?”. Tive, claro, que proferir a sábia frase, com o bem intencionado intuito de quebrar um pouco a tensão da noite: “Tá no inferno, abraça o Capeta”.
Bom, acho que devido à extensão do texto, economizarei na riqueza dos detalhes daqui por diante...Limitar-me-ei a dizer, por exemplo, que a pizza era daquelas que agente compra no Carrefour (só o disco, congelado), e recheia em casa, com o molho do elefante, presunto e queijo picadinhos e rodelas de tomate... Claro que, em meio a estes sabores mais comuns, havia alguns mais sofisticados....Pena que a clientela não parecia valorizá-los muito.... Para nosso espanto, por exemplo, pudemos ouvir a garota da mesa ao lado indagar ao garçom: “Margherita?? O que é isso? Ah, tem queijo...? Então pode descer”...Aliás, isso desencadeou uma profunda discussão sobre a qualidade de serviços X percepção e necessidades dos clientes.
Finalmente, depois de alguns pedaços de pizza (2 pra mim, 1,5 pra boss), duas cervejas (tendo sido uma delas parcialmente derramada mesa abaixo pelo garçom no momento da entrega), pagamos a conta, esperamos uma eternidade pela nota fiscal (que chegou depois de três apelos), subimos a ladeira, os dois lances de escadas que nos separavam de nossos aposentos, e fomos dormir....Após um bom banho e uma secagem esfoliante, confesso que dormi como uma pedra....Mesmo com o Britânia e sem travesseiro (juro que tentei).
No dia seguinte, para terminar, desfrutamos um café da manhã à base de pão-de-queijo borrachudo, café-com-leite e biscoito de polvilho (surpreendentemente crocantes, ao contrário da expectativa). Fato inusitado durante o referido desjejum: minha chefe notou alguns OFNIS (objetos flutuantes não identificados) na água quente que saía da garrafa térmica do Buffet, solicitou à cozinheira que lhe trouxesse um pouco mais...Ela, gentilmente respondeu-lhe: “Tem água quente na garrafa térmica”... Ok, após uma bela noite de sono, meu otimismo levou-me a crer que não se tratou de má-vontade, mas sim de despreparo, ingenuidade e até um pouco de prestatividade (“deixe-me mostrar pra ela onde fica a água quente, tadinha...”).
Para coroar a estada, após fazermos o check-out, a boss pediu ajuda com sua mala ao recepcionista (o turno do dono acabara, e havia um novo rapaz, que não era necessariamente um rapaz novo...Seria um sócio minoritário?). Imediatamente, ele voltou-se para uma senhora negra que por ali passava, que por sinal era a mesma que nos quis “ajudar” com a água quente, dizendo-lhe “Fulana, você não ajuda a moça..?”. Eu intervim, carregando a monster-bag dela escada abaixo, deixando para a cozinheira-camareira-carregadora minha bagagem “zipada”...
No dia seguinte, já em conversa com o cliente que fomos visitar, disseram-nos que aquele não era o melhor hotel da cidade (eu poderia ter ganhado um Oscar por minha interpretação ao dizer “ Ah, não?”)...Havia um, cujo valor da diária (R$ 6,00 mais “cara”) posicionava-o como premium naquela praça... Mas como todo bom mineiro, político, contido e cauteloso com as palavras, o cara acabou confessando algo como: “Bom, mas na verdade, o pessoal não gosta de passar a noite aqui não...Ficam em Divinópolis e pegam a estrada todo dia...”. Para que tenham uma idéia, cerca de 70 km separam as duas cidades....E as pessoas ainda assim optam por não dormir em Oliveira... E agora você já sabe o motivo.
Na viagem de volta, sem grandes acontecimentos, exceto por MAIS um acidente que nos deixou parados, e para fora do carro...Desta vez, durou apenas uns 25 minutos... O inusitado foi ver que tal como na ocasião anterior, uma van branca estava bem em nossa frente...Qual não foi meu alívio ao constatar o seguinte escrito que percorria as duas portas traseiras: “Rei da Mandioca”. Em comum com a van anterior, só o fato de ambas as cargas permanecerem debaixo da terra....
A mandioca conclui esta aventura... Amanhã estou indo para Uberaba....Quem sabe na volta não tenha novos materiais para postar aqui....
Este texto é uma resposta àqueles que costumam dizer coisas do tipo "Queria tanto ter um emprego como o seu.....Viajar bastante....conhecer lugares....ficar em hotéis....."
O fato é que excepcionalmente, resolvi postar um texto de teor narrativo, ao invés dos tradicionais dissertativos de sempre, por querer compartilhar (ou apenas exteriorizar, já que ninguém lê essa bagaça mesmo) uma pequena sequência de eventos inusitados ocorridos em minha última incursão laboral pelos interiores de Minas Gerais. Bem, pelo menos para MIM, pareceram inusitados....Não sei se conseguirei transmitir a mesma impressão por meio de um texto escrito, mas como não me custa nada, a não ser alguns minutos, tentá-lo-ei. Ademais, creio que será bom quebrar um pouco esta atmosfera pesada e “polêmica” que caracteriza meu blog, com algo um pouco diferente, e com sorte, quem sabe até divertido...
Tudo começou terça-feira, quando fomos (minha chefe e eu) para Belo Horizonte de carro (saindo de Ribeirão Preto)... Não é longe... Como diriam alguns dos protagonistas desta narrativa, é um “tirim de espingarda”...Não que seja perto...Mas realmente, o conceito de distância muda muito conforme o contexto, de modo que desde que iniciei-me nesta vida de “caixeiro viajante”, 500 e tantos km não me parecem muita coisa. No mais, a condição não muito boa das estradas e o excesso de caminhões, são compensados por algumas belas paisagens, tal como ao se passar por Passos (trava-língua?), de onde me deu certa saudade, a ponto de eu já estar planejando voltar lá em breve.
Mas bucolismos à parte, o fato é que precisaríamos rodar muito por lá, portanto, fomos de carro. Ponto final. Até quarta-feira, tudo correu bem...Ficamos por BH mesmo, cumprindo o planejado, embora alguns de nossos objetivos não tenham sido plenamente atingidos, o que não vem ao caso... Entretanto, havíamos planejado passar a noite da quinta-feira já na cidade onde teríamos um compromisso matutino na sexta, sendo esta megalópole chamada Oliveira. Eu até já havia ouvido falar dela, mas com tão pouca importância, que eu não saberia sequer dizer se fora numa página da sessão policial de um jornal, ou simplesmente ao correr os olhos descompromissadamente algum dia pelo mapa do sul mineiro.
Diante disso, deixamos BH quinta-feira por volta de 17h, esperando chegar ao destino por volta de 18h30, considerando os 160 km que separam as duas cidades. Foi aí que a coisa começou mesmo a desviar da rota planejada (ou ao menos, imaginada)...Após uma viagem não muito agradável (pois não conhecíamos a estrada, e como já disse, o excesso de caminhões é estressante), já bem próximos ao destino (cerca de 10 km antes da saída para Oliveira) fomos surpreendidos por um congestionamento, não daqueles do tipo anda-pára, anda-pára, comuns em São Paulo na hora do rush, mas sim aqueles nos quais se desliga o carro e se “apeia” para ver o que está acontecendo... Tratava-se de um tombamento de uma carreta de refrigerantes (o que viemos a descobrir só mais tarde, quando passamos pelo local) entre as duas pitas, o que acabara por interditar ambas, fazendo com que ninguém transitasse em nenhum dos dois sentidos.
Em virtude de não ter certeza do que havia acontecido quando paramos, decidimos entrar no posto que margeava a rodovia (que por sinal é a Fernão Dias), para “fazer hora”, e quem sabe, com sorte encontraríamos a coisa toda já normalizada quando retornássemos... Pois entramos, aliviamos nossas bexigas, tomamos um lanche leve pré-jantar (no meu caso, coxinha de frango com catupiry, muita pimenta e coca-zero), e cerca de meia hora depois, estávamos do lado de fora, contemplando a fila de veículos parados que agora já estava mais que o dobro do tamanho da inicial.
Depois do pensamento comum e simultâneo (“fudeu”), decidimos tentar posicionar-nos em algum lugar da fila, passando por dentro do posto (onde já estávamos). Aí é que já começaram alguns fatos peculiares...O posto, apesar de pertencer à bandeira Graal, estava abarrotado de caminhões (o que não é comum para postos com este perfil, como bem sabem aqueles que costumam viajar). Arrisco-me a dizer que havia mais caminhões e carretas do que carros de passeio...Ou pelo menos havia esta impressão, o que pode ter sido facilmente tendenciado pelo volume que ocupam. Isto provavelmente deu-se pelo fato do posto ter uma área de “apoio” ao caminhoneiro, daquelas com chuveiros, pias, zona de descanso, “meninas” circulando, etc. E claro, também ao fato de que muitos fizeram o mesmo que nós, ou seja, pararam por lá ao invés de fazê-lo na pista, até que vissem o desenrolar dos acontecimentos.
Ao lado do posto de combustível propriamente dito (neste caso delimitado pela cobertura acima da área das bombas), havia um grande pátio, todo recortado por caminhos feitos com fitas plásticas (daquelas listradas em amarelo e preto, típicas das cenas de crime que vemos em filmes) amarradas a estacas de ferro (pedaços de vagalhões utilizados em obras, fincados entre os paralelepípedos). Disputávamos este espaço para chegar à saída do posto, tentando respeitar os limites impostos pelos caminhos de fitas, embora os mesmos estivessem claramente mal projetados. Neste momento, apareceu o primeiro personagem desta “trama”...Enquanto esperávamos (ainda dentro do carro), surgiu um enorme caminhão vermelho e emparelhou com nosso veículo, chegando bem próximo... Abriu-se a porta, e uma voz aparentemente amigável, com um sotaque paranaense carregado disse algo como : “Desculpa aí amigo...Enchi vocês de poeira, né...”. Pois bem, a introdução amistosa fez com que eu trocasse algumas palavras com o cara, que logo desceu de sua boléia, revelando-se ao lado do carro.
O cara era magro, meio calvo, uns 45 anos mal vividos, com uma aparência cansada, porém agitada... Típico de quem está sob o efeito de “rebites” por algum tempo. Pra quem não sabe, refiro-me aos “medicamentos” comumente utilizados por estes profissionais para tirar o sono e permitir-lhes conduzir durante dias e noites ininterruptas sem dormir. Geralmente são à base de anfetaminas, e representam um grande perigo às estradas, pois apesar de suprimirem o sono, não fazem o mesmo com a perda de reflexos e coordenação motora, atenção, cansaço muscular, etc. Em resumo, o cara fica meio “zumbi”...Os olhos não se fecham, mas o corpo falha... E assim estava ele, com os olhos vermelhos, mareados, porém abertos, como se a sobrancelha houvesse feito uma aliança estratégica com os músculos da testa, para que ambas puxassem para cima as pálpebras não as deixando fechar... O cara estava agitado, andava para os lados, xingava o posto por ter colocado as faixas, xingava o congestionamento... Na verdade, na hora em que o vi, lembrei-me daquele negão do filme “Meu nome não é Johnny”, que chega alucinado de cocaína na cela onde o protagonista estava preso, que por sua vez, diz pra ele: “Sossega cara...Tu ta parecendo o Mick Jagger...”.
Pois o “Truck Jagger” ora falava sozinho, ora conosco (sem muita resposta), ora com o caminhão, ora com alguém dentro dele, que parecia ser uma mulher...Sendo que numa destas falas direcionadas a nós, ele diz, abrindo aquele compartimento lateral da carreta, onde se guardam utensílios, alimentos, dentre outros bens de necessidade em geral): “Vamo tomá uma sopinha?”. E então tirou e lá um fogareiro, um bujão de gás e uma panela, dizendo: “Vou ali lavar minha panela, e quero só ver se alguém vai falar alguma coisa..”. Eu respondi com um sorriso contido, e um “valeu, já comi ali...” e pensei algo como “putaqueopariu, onde é que eu tô...” Ah, antes da sopa, em meio a sua revolta, ele havia arrebentado com as mãos todas as faixas plásticas que circundavam nossos veículos, e atirado longe uma das estacas metálicas, o que provocou um alto tilintar do ferro contra pedra. Confesso que fiquei contente, ainda que um pouco apreensivo com esta ação, pois sabia que no momento certo, seríamos beneficiados por ela.
Logo após a recusa do convite para a sopa, surgiu uma van branca, dessas do tipo Kangoo, ou Doblô, e parou bem na nossa frente...Não exatamente alinhada a nosso carro, mas meio na diagonal...Entre nosso carro, e outro caminhão que estava do outro lado (dessa vez, um azul)...Olhei a van, mas não me ative ao que estava escrito nela...Até que o motorista do “trovão azul” desceu, e vindo a mim (ainda vou entender esta identificação dos caminhoneiros para comigo), disse: “Eu bato enxada, mas não pego um trabalho desses”, apontando para a van com a cabeça... Neste momento, descia dela um rapazote magrelo, usando luvas pretas, e ao acompanhá-lo visualmente até a parte de trás do veículo, pude ler: “Serviço Funerário Particular”. Pensei, “bom, pelo menos esse que está aí dentro não tem pressa, né...”. O caminhoneiro foi lá conversar com o magrelo, e o mesmo abriu as portas traseiras do veículo, revelando sua “carga”...Não se tratava de um caixão, mas sim de uma daquelas gavetas metálicas, na qual editava-se o cadáver.... Eu fico até imaginando qual teria sido o diálogo que fez com que o funcionário abrisse as portas da van...Ora, para QUÊ ele precisaria fazer isso?? Deve ter sido algo como:
Caminhoneiro: “ Tem defunto mesmo aí amigo?”
Motorista do rabecão: “Tem sim”
Caminhoneiro: “Ahhh, fala sério... Duvido”.
Mr. “Driving Miss Dead Man”: “Então olha”… e abriu.
Não satisfeito em compartilhar comigo sua análise inicial sobre a temática do serviço fúnebre, o caminhoneiro, já no trajeto de volta a seu ganha-pão sobre rodas, indaga-me: “Viu só como tava inchado??”. Não respondi (até porque, não tinha visto muita coisa mesmo).
Às 20h, ou seja, uma hora após termos parado, o trânsito foi liberado e seguimos viagem. Só então, como eu disse, ao passarmos pelo local do acidente, pudemos ver que se tratava de uma carga de refrigerantes (Guaraná Kuat, para ser mais preciso), que havia sido rapidamente saqueada pela população local. Aqui não posso deixar de fazer um comentário... Acho que algum dia deveriam realizar um estudo sobre a dinâmica populacional por trás destes saques de cargas tombadas. Primeiro, porque muitas vezes não há povoados ou cidades tão próximos, a ponto de ouvir-se o ruído do acidente... Segundo, porque a difusão da informação (de que houve um tombamento, e tem “coisa boa” na pista) dá-se com uma velocidade incrível...Não só rapidez de informação, como de deslocamento de pessoas e mercadorias... São centenas delas que surgem do nada, munidas de sacolas, carrinhos de supermercados, malas de viagem ou da própria camiseta usada como bolsa marsupial, e que promovem a remoção de toneladas de produtos em uma agilidade incrível...Um verdadeiro case logístico, que deveria ser investigado.
Bom, passado tudo isso, chegamos a Oliveira...Minha chefe disse algo como “até que enfim...que viagem...” E eu lhe respondi sabiamente (neste momento, desejaria não ser tão sábio): “Calma...A noite ainda não acabou...E muita coisa ainda pode acontecer...Só acaba quando eu deitar minha cabeça no travesseiro”....Quisera não estar tão certo....
Colocamos o endereço do hotel no GPS, mas não o encontramos de primeira. Resolvemos lançar mão do GPS de nossos antepassados, no qual encosta-se o carro junto a um habitante local e inicia-se uma sentença com um “Por favor....poderia me dar uma informação..?”. Realmente, e quem o possui há de concordar, quanto menor a cidade, maior a falta de noção por parte do GPS, e conseguintemente, maior minha vontade de defenestrá-lo. (atirar alguém ou algo janela afora, violentamente, segundo o Houaiss). Pois bem, chegamos ao hotel, e novamente, surge uma sintonia de pensamentos, desta vez também verbalizados: “É AQUI????????”. Tratava-se de uma portinha que levava a uma escadaria, que por sua vez conduzia à recepção do hotel...Constituído na sobreloja de uma esquina comercial, cuja base era composta por um bar, e mais dois estabelecimentos já fechados devido ao horário, o mesmo era identificável por meio de um banner luminoso (backlight) na vertical junto à porta: “Novo Hotel”.
Passado o choque, desci (do carro) e subi (a escadaria) rumo à recepção a fim de perguntar (embora sem muita esperança) se havia algum estacionamento...Para minha surpresa, o não tão simpático, porém, atencioso recepcionista (que por sinal também desempenhava uma outra função menos importante, ou seja, a de proprietário do empreendimento), disse-me que sim, havia estacionamento...Mas como em geral toda “boa notícia” anda de mãos dadas com sua irmã má, ele me conduziu até a janela para indicar-me a entrada da garagem conveniada, que nada mais era um portão de algo que parecia um terreno baldio, cujo interior não se via, primeiro devido ao breu em que se encontrava, segundo em virtude da entrada ser em declive. Antes de descer, tive a brilhante (e óbvia) idéia de perguntar no hotel onde haveria um lugar bom para comer alguma coisa... Idéia muito boa em 99% dos logradouros deste país, estando dentro do 1% restante, o município de Oliveira – MG.
O lugar indicado, por meio de uma detalhada explanação, pois a solicitação do endereço exato para fins de alimentação de GPS foi totalmente ignorada, como se houvesse sido feita em outro idioma, chamava-se “Bar do Manzinho”, e minha acompanhante recusou-se a sequer passar mais devagar diante dele para uma análise visual. Retornamos, assim, para o hotel, pois notáramos que bem próximo a ele havia algum tipo de estabelecimento gastronômico....Talvez uma pizzaria. Estacionamos no terreiro-ribanceira, cujo piso era formado por pedriscos e mato, sobre os quais arrastar as malas de rodinhas foi como fazer um Rally Paris-Dakkar na categoria Samsonite. Subimos para o hotel só para fazer check-in (que consistiu em falar nosso nome, imediatamente riscado numa lista escrita a mão, e apanhar as chaves, penduradas em um grande chaveiro metálico e barulhento), largar as coisas no quarto para então descer para “jantar”. Agora, porém, ainda teríamos de enfrentar mais um lance de escadas (contando o primeiro, que se inicia na rua), carregados com nossas malas. O dono-recepcionista resolveu ajudar minha boss a subir sua mala (após ser solicitado para isto, claro), e eu me virei bem com a minha, que tinha aproximadamente ¼ do tamanho de sua versão fêmea. Foi então que veio outra sequência de mini-surpresas, que até teriam sido mais impactantes, caso já não estivéssemos esgotados e refratários a este tipo de constatação. A primeira delas ocorreu primeiro à boss, que já estava abrindo sua cela em companhia do “recepdonista”, enquanto eu ainda caminhava pelo corredor olhando as numerações das portas, procurando pelo número 13 (nessa hora eu bem que poderia ser o Zagalo e ter um pouco de sorte com este número...). Embora a uma certa distância, pude ouvi-la dizer em voz alta (quase um grito...ou ao menos um tom de voz superior ao normalmente utilizado): “NÃO TEM AR????” Não, ela não estava referindo-se a uma suposta câmara à vácuo, mas sim à falta de um aparelho de ar condicionado, neste caso, substituído por um mini-ventilador de mesa da marca Britânia. Neste momento, eu já havia perdido a contagem dos “ih, fudeu...” Na verdade nem pensava mais isso...Só achava graça...
Bem, a fome, o cansaço, e a vontade de acabar logo com aquele dia (antes que ele o fizesse comigo) fizeram com que eu quisesse descer o mais rapidamente possível, logo, nem quis me preocupar com a falta do ar, com a toalinha, ou melhor, “toalixa” em cima da cama, nem com os travesseiros em forma (e consistência) de sacos de estopa....Afinal de contas, nosso lema, acidental, porém, realisticamente criado era “a noite ainda não acabou”....Restava-nos ainda a experiência do jantar...
Arrastamo-nos rumo à pequena pizzaria, que tinha mais um jeitão de boteco interiorano (desses com disputadas mesas nas calçadas, devido à brisa noturna que ameniza a sensação térmica de 42º para agradáveis 35º ), e para nossa surpresa, notamos que o lugar estava operando próximo a sua capacidade máxima...Na verdade, tivemos a “sorte” de pegar a última mesa na calçada... Foi quando o jovem garçom, que aparentava uns 14 anos, perguntou-nos se participaríamos do “rodízio”...Sob a bagatela de R$ 10,00 por pessoa, pensamos: “Por quê não?”. Tive, claro, que proferir a sábia frase, com o bem intencionado intuito de quebrar um pouco a tensão da noite: “Tá no inferno, abraça o Capeta”.
Bom, acho que devido à extensão do texto, economizarei na riqueza dos detalhes daqui por diante...Limitar-me-ei a dizer, por exemplo, que a pizza era daquelas que agente compra no Carrefour (só o disco, congelado), e recheia em casa, com o molho do elefante, presunto e queijo picadinhos e rodelas de tomate... Claro que, em meio a estes sabores mais comuns, havia alguns mais sofisticados....Pena que a clientela não parecia valorizá-los muito.... Para nosso espanto, por exemplo, pudemos ouvir a garota da mesa ao lado indagar ao garçom: “Margherita?? O que é isso? Ah, tem queijo...? Então pode descer”...Aliás, isso desencadeou uma profunda discussão sobre a qualidade de serviços X percepção e necessidades dos clientes.
Finalmente, depois de alguns pedaços de pizza (2 pra mim, 1,5 pra boss), duas cervejas (tendo sido uma delas parcialmente derramada mesa abaixo pelo garçom no momento da entrega), pagamos a conta, esperamos uma eternidade pela nota fiscal (que chegou depois de três apelos), subimos a ladeira, os dois lances de escadas que nos separavam de nossos aposentos, e fomos dormir....Após um bom banho e uma secagem esfoliante, confesso que dormi como uma pedra....Mesmo com o Britânia e sem travesseiro (juro que tentei).
No dia seguinte, para terminar, desfrutamos um café da manhã à base de pão-de-queijo borrachudo, café-com-leite e biscoito de polvilho (surpreendentemente crocantes, ao contrário da expectativa). Fato inusitado durante o referido desjejum: minha chefe notou alguns OFNIS (objetos flutuantes não identificados) na água quente que saía da garrafa térmica do Buffet, solicitou à cozinheira que lhe trouxesse um pouco mais...Ela, gentilmente respondeu-lhe: “Tem água quente na garrafa térmica”... Ok, após uma bela noite de sono, meu otimismo levou-me a crer que não se tratou de má-vontade, mas sim de despreparo, ingenuidade e até um pouco de prestatividade (“deixe-me mostrar pra ela onde fica a água quente, tadinha...”).
Para coroar a estada, após fazermos o check-out, a boss pediu ajuda com sua mala ao recepcionista (o turno do dono acabara, e havia um novo rapaz, que não era necessariamente um rapaz novo...Seria um sócio minoritário?). Imediatamente, ele voltou-se para uma senhora negra que por ali passava, que por sinal era a mesma que nos quis “ajudar” com a água quente, dizendo-lhe “Fulana, você não ajuda a moça..?”. Eu intervim, carregando a monster-bag dela escada abaixo, deixando para a cozinheira-camareira-carregadora minha bagagem “zipada”...
No dia seguinte, já em conversa com o cliente que fomos visitar, disseram-nos que aquele não era o melhor hotel da cidade (eu poderia ter ganhado um Oscar por minha interpretação ao dizer “ Ah, não?”)...Havia um, cujo valor da diária (R$ 6,00 mais “cara”) posicionava-o como premium naquela praça... Mas como todo bom mineiro, político, contido e cauteloso com as palavras, o cara acabou confessando algo como: “Bom, mas na verdade, o pessoal não gosta de passar a noite aqui não...Ficam em Divinópolis e pegam a estrada todo dia...”. Para que tenham uma idéia, cerca de 70 km separam as duas cidades....E as pessoas ainda assim optam por não dormir em Oliveira... E agora você já sabe o motivo.
Na viagem de volta, sem grandes acontecimentos, exceto por MAIS um acidente que nos deixou parados, e para fora do carro...Desta vez, durou apenas uns 25 minutos... O inusitado foi ver que tal como na ocasião anterior, uma van branca estava bem em nossa frente...Qual não foi meu alívio ao constatar o seguinte escrito que percorria as duas portas traseiras: “Rei da Mandioca”. Em comum com a van anterior, só o fato de ambas as cargas permanecerem debaixo da terra....
A mandioca conclui esta aventura... Amanhã estou indo para Uberaba....Quem sabe na volta não tenha novos materiais para postar aqui....
Este texto é uma resposta àqueles que costumam dizer coisas do tipo "Queria tanto ter um emprego como o seu.....Viajar bastante....conhecer lugares....ficar em hotéis....."
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