(se é sua primeira visita, acesse o post do dia 02 de dezembro antes de iniciar a leitura...)
Embora grande parte das idéias que compõe este texto já permeie minha mente há alguns anos, minha motivação para finalmente escrevê-lo originou-se em acontecimentos recentes, e excessivamente noticiados pela mídia, que os denominou como sempre, de forma convencionada e impactante, como o fantástico “Mensalão do DEM”.
Se você é do tipo de pessoa que só abre o jornal para procurar o horóscopo e as palavras-cruzadas, ou que só o assiste pela televisão para saber se vai chover amanhã, cumpre-me informar-lhe (de forma extra-resumida) que se tratam das denúncias de recebimentos de propina envolvendo o governador do DF, José Roberto Arruda (dentre outros deputados, empresários, etc.), trazidos à tona por meio de gravações do tipo “Pegadinha do Mallandro” (câmera escondida), que produziram cenas quase tão engraçadas quanto àquelas protagonizadas pelo próprio Ivo Holanda, como por exemplo, aquela em que os caras se abraçam e rezam agradecendo à “bênção” recebida.
Pois bem, introduções à parte, o ponto-chave deste texto é que a corrupção já está tão enraizada na cultura do brasileiro, indo MUITO além dos limites da política, que grande parte de nós nos esquecemos disso, e saímos por aí atirando pedras contra nossos próprios telhados sem nos darmos conta.
O brasileiro tem como hobby, excomungar seus governantes (e demais figuras que tenham algum tipo de poder). Praticamente já nasce com esta vocação...Ok, talvez isto seja um exagero...Ele não propriamente nasce com ela, e sim a desenvolve ao longo dos anos, à medida que presencia, desde muito cedo, seus adultos-modelo discursando energicamente sobre como o Brasil é sujo. Políticos? Todos ladrões. Empresários: Ganham dinheiro roubando. Juízes: Comprados. Policiais: Corruptos.
Entretanto, ao fazê-lo, a maioria esmagadora desta “massa crítica”, esquece que a “matéria-prima” que é empregada para fazer um político, empresário, juiz e policial, é a MESMA, ou seja, um brasileiro como ele, eu, e você, que praticamos tão assiduamente este mesmo “hobby”. Mas por que será que esta relação entre uma coisa e outra é tão frequente (e convenientemente) esquecida?
O que ocorre, é que nós brasileiros costumamos fazer uma interessante distinção, quando se trata deste tão “familiar” tema - a corrupção. A distinção é simples: quando se trata deles, ou seja, das figuras que geralmente xingamos, é corrupção. Porém, quando se trata de nós, os termos são outros, embora diante de fatos bem semelhantes: é o tradicional “jeitinho”, ou os mais atuais “esquemas”, ou ainda, as descoladas “manhas”...E é impressionante como de repente, um mesmo fato instantaneamente muda radicalmente seu posicionamento em nossa mente, indo de algo sujo, podre e maculado, para algo vantajoso, inocente e inteligente. E nem precisaria mencionar pois é óbvio, mas a origem desta distinção é a mesma, ou seja, os conceitos transmitidos ao longo das gerações, não só de forma vertical (dos mais velhos para os mais novos), mas também de forma horizontal, entre amigos, colegas de escola, trabalho, mídia, televisão, novela, cinema, música, etc. etc. Enfim, todo o mix que compõe a chamada cultura de um povo.
Pode parecer exagero, mas é mais verossímil do que pode parecer. Há diversos exemplos de alguns “esquemas” que são mais comuns do que se pensa, pois não precisamos de câmeras escondidas ou denúncias anônimas para revelá-los, já que estão presentes em nosso dia-a-dia, e são praticados pela maioria de nós.
Um deles (talvez o meu “preferido”, dada a proximidade que tem com meu círculo social) é o da carteirinha de estudante falsa, que muitos confeccionam (ou compram) para ter direito ao desconto de 50% no valor de ingressos de cinemas, teatros, shows e afins. Ora, quantos de nós já não fizemos isso, ou ao menos não conhecemos alguém que o tenha feito? Estamos falando de um crime, ou no mínimo uma contravenção (se fôssemos levar a coisa ao pé-da-letra)... Falsidade ideológica (se a carteirinha for verdadeira, mas a pessoa não é estudante), falsificação de documento (se for um caso de carteirinha falsa) e estelionato. Ah, claro...Mas aí não é corrupção... Aí é um “esquema”... cuja única função, é o de lesar empresas de entretenimento. Empresas que investem no país, que geram empregos e que pagam impostos... Ah sim, mas os valores dos ingressos são absurdos! Fazemos isso como uma forma de lutar contra o maligno sistema dos preços abusivos de ingressos! Abaixo à máfia dos cinemas e shows! Que pensamento mais idiota...É exatamente o mesmo que dizer “ não concordo com o preço exorbitante de uma Ferrari, portanto, roubei uma”. Ou então, financiei-a, mas resolvi pagar apenas 50% das parcelas, pois acho que está mais do que bem pago... Quem te OBRIGOU a ir ao cinema? Alguém teria te enganado, prometendo preços de ingressos mais baixos, e não cumpriu? Não meu caro...O preço é ESTE, e se você pode pagar, aproveite..Do contrário, procure uma diversão que caiba em seu orçamento...
O pior é que todos sabemos muito bem que não se trata de uma prática fundamentada em limitações orçamentárias...Muito pelo contrário... Posso estar sendo injusto, mas nunca vi um pobre falsificando uma carteirinha de estudante para pagar meia entrada...Afinal, quem pode pagar R$ 7,50 num cinema, pode pagar R$ 15...Ou colocando de forma inversa, para ressaltar o raciocínio: Quem NÃO PODE pagar R$ 300 num ingresso do Cirque du Soleil, NÃO PODE pagar R$ 150 tampouco... Portanto, mais uma vez, não se trata de limitação financeira...Mas sim de gente que acha que está levando vantagem...Economizando...Burlando uma “falha do sistema”...
Tenho MUITOS amigos que fazem isso, e são financeiramente muito bem sucedidos, ao menos para pagar as entradas inteiras. E tenho certeza de que você, leitor, também tem alguns.
Saber fazer a conta necessária para concluir que 50% de desconto é vantajoso, todos sabem...Porém, há algumas outras continhas que nessas horas ficam além de toda a “esperteza” do brasileiro. Por exemplo, as pessoas pensam que “tudo bem” aplicar um micro-golpe como este, PORQUE o preço do ingresso é alto...Mas o que elas não percebem, é que o que apontam como causa, é, na verdade, consequência..Ou seja...O valor da entrada é caro, por conseguência do excesso de “estudantes”.. A conta é simples..As empresas sabem muito bem qual é o seu “ponto de equilíbrio”, e quanto precisam faturar para que seus investimentos sejam compensados, deixando-lhes o lucro que esperam...Por isso, na hora de confeccionarem seus preços, já consideram que um “X”% de seus clientes enquadrar-se-ão nos meio-pagantes, e assim, elevam seus preços da entrada inteira, de modo a mesmo as meias ainda constituírem valores satisfatórios... Já se sabe que se a legislação brasileira fosse diferente, capaz de regulamentar com mais critério esta questão, não seria necessário cobrar-se preços tão abusivos, pois o aumento do volume de vendas compensaria os valores menores (preços mais baixos – mais ingressos vendidos)... Mas como ainda não é o caso...Parabéns, falsos “estudantes”...Por causa de vocês, assistir ao MESMO espetáculo em São Paulo, custa mais do que em Londres, Paris e Nova York... Só que nestas outras localidades a renda per capita é só um pouquinnho superior do que a nossa, né....
Eu gosto de explorar este exemplo, pois como eu disse, é muito próximo a minha realidade...Porém, há muitos outros, conhecidos por todos nós..A “cervejinha” para policiais de trânsito, por exemplo...Quem nunca participou de uma destas “contribuições”, quer seja ativamente, quer seja presenciando quem o fizesse? E o engraçado, é que todos nós não hesitamos em chamar policiais de corruptos, agora, lembremo-nos dos conceitos de corrupção ativa e passiva...Quem é mais corrupto? O que recebe, ou o que dá? Ora, eu nunca vi um policial arrancar dinheiro de alguém...Em 99% dos casos que já presenciei (ou tomei conhecimento), existe um padrão na sequência dos acontecimentos...Algo como: abordagem – insinuação – oferta (por parte do abordado) – aceitação. Qualquer um de nós nessa hora, poderia dizer... “Desculpe-me Sr. Policial (se chamar de guarda eles ficam loucos, acreditem), mas pode aplicar-me a multa, pois tenho pressa”...Até já conheci pessoas que fizeram isso, só de pirraça, para não contribuir com este círculo vicioso...Mas a partir da vigência do novo código de trânsito, através do qual as multas passaram a ter um caráter não apenas monetário (ou seja, acarretam também nos temidos pontos na carteira), cada vez menos tenho visto este tipo de atitude...
Está muito longe do propósito principal deste texto, transmitir uma falsa imagem a meu respeito, como a de alguém que jamais praticou nenhuma modalidade de corrupção (pois não creio nas outras denominações eufemísticas). Mas pelo menos, tenho plena consciência disso, e não sou como a maioria das pessoas, que do alto de sua hipocrisia, ousam considerarem-se distintas daqueles que, no frigir dos ovos, são “farinhas” que saíram dos mesmos “sacos” que eles (liguem para o Guiness, pois creio ter atingido o recorde de metáforas culinárias numa única sentença).
Mas o que permite uma pessoa “normal”, como eu e você, praticar estes atos de forma tão natural, sem produzir uma só mácula em sua consciência? O que estaria por trás da inocência do “jeitinho”? Ora, é simples...Aqueles que o praticam, de maneira geral armazenam o fato em suas consciências associado a pensamentos do tipo “não estou fazendo mal a ninguém”.. “Não estou roubando, nem matando..”. E será que o que passa na mente de um “político corrupto” no momento de um recebimento de propina, por exemplo, é muito diferente disso? Creio fortemente que não...Esses caras, ao contrário do que muitos imaginam, não são salafrários cruéis, que riem histericamente enquanto desviam dinheiro de criancinhas famintas...Nada disso... São pais de família, gente de carne e osso, que pratica seus atos, justificando-os para suas consciências por meio dos mesmos artifícios...Seguindo a linha de raciocínio do “não estou matando ninguém....”. Mas estão matando sim (tanto os primeiros, como os segundos)..Estão matando a integridade de um povo...E funcionalidade de todo um sistema. Um Paulo Maluf, por exemplo, ao qual se atribui o bordão “Rouba, mas faz” (que, diga-se de passagem, jamais foi dito por ele próprio, e sim foi sabiamente criado por seus adversários), ao superfaturar uma obra pública, certamente mune-se deste tipo de pensamento... “Não estou fazendo mal a ninguém...Muito pelo contrário...Esta obra ajudará milhares de pessoas”...Obrigado, Paulão! Esse é mesmo o cara...
Bom, o tema é polêmico mesmo, e eu poderia ir até mais longe...Mas creio que já me fiz entender. Se você, depois de tudo isso, acha que eu estou defendendo os políticos corruptos, devo avisá-lo(a) que me interpretou erroneamente. Meu intuito foi o de tentar despertar um pouco de senso auto-crítico sobre nossas próprias ações, e dizer que enquanto esta cultura não mudar (e para isso, temos que começar escolhendo muito bem o que dizer a nossas crianças, pois da nossa geração para trás creio já não ter muito mais jeito), continuaremos permitindo que os pequenos Arrudas e Maluf’s que moram em cada um de nós prossigam com seus “esquemas” totalmente “inofensivos”, mas que tanto prejudicam o aproveitamento real do potencial que nosso país tem de ocupar de fato, um lugar entre os maiores.
PS: Só para constar: eu me formei em abril de 2009, mas minha carteirinha da faculdade tem validade até 2010...Autêntica, diga-se de passagem (e não adulterada)
Embora grande parte das idéias que compõe este texto já permeie minha mente há alguns anos, minha motivação para finalmente escrevê-lo originou-se em acontecimentos recentes, e excessivamente noticiados pela mídia, que os denominou como sempre, de forma convencionada e impactante, como o fantástico “Mensalão do DEM”.
Se você é do tipo de pessoa que só abre o jornal para procurar o horóscopo e as palavras-cruzadas, ou que só o assiste pela televisão para saber se vai chover amanhã, cumpre-me informar-lhe (de forma extra-resumida) que se tratam das denúncias de recebimentos de propina envolvendo o governador do DF, José Roberto Arruda (dentre outros deputados, empresários, etc.), trazidos à tona por meio de gravações do tipo “Pegadinha do Mallandro” (câmera escondida), que produziram cenas quase tão engraçadas quanto àquelas protagonizadas pelo próprio Ivo Holanda, como por exemplo, aquela em que os caras se abraçam e rezam agradecendo à “bênção” recebida.
Pois bem, introduções à parte, o ponto-chave deste texto é que a corrupção já está tão enraizada na cultura do brasileiro, indo MUITO além dos limites da política, que grande parte de nós nos esquecemos disso, e saímos por aí atirando pedras contra nossos próprios telhados sem nos darmos conta.
O brasileiro tem como hobby, excomungar seus governantes (e demais figuras que tenham algum tipo de poder). Praticamente já nasce com esta vocação...Ok, talvez isto seja um exagero...Ele não propriamente nasce com ela, e sim a desenvolve ao longo dos anos, à medida que presencia, desde muito cedo, seus adultos-modelo discursando energicamente sobre como o Brasil é sujo. Políticos? Todos ladrões. Empresários: Ganham dinheiro roubando. Juízes: Comprados. Policiais: Corruptos.
Entretanto, ao fazê-lo, a maioria esmagadora desta “massa crítica”, esquece que a “matéria-prima” que é empregada para fazer um político, empresário, juiz e policial, é a MESMA, ou seja, um brasileiro como ele, eu, e você, que praticamos tão assiduamente este mesmo “hobby”. Mas por que será que esta relação entre uma coisa e outra é tão frequente (e convenientemente) esquecida?
O que ocorre, é que nós brasileiros costumamos fazer uma interessante distinção, quando se trata deste tão “familiar” tema - a corrupção. A distinção é simples: quando se trata deles, ou seja, das figuras que geralmente xingamos, é corrupção. Porém, quando se trata de nós, os termos são outros, embora diante de fatos bem semelhantes: é o tradicional “jeitinho”, ou os mais atuais “esquemas”, ou ainda, as descoladas “manhas”...E é impressionante como de repente, um mesmo fato instantaneamente muda radicalmente seu posicionamento em nossa mente, indo de algo sujo, podre e maculado, para algo vantajoso, inocente e inteligente. E nem precisaria mencionar pois é óbvio, mas a origem desta distinção é a mesma, ou seja, os conceitos transmitidos ao longo das gerações, não só de forma vertical (dos mais velhos para os mais novos), mas também de forma horizontal, entre amigos, colegas de escola, trabalho, mídia, televisão, novela, cinema, música, etc. etc. Enfim, todo o mix que compõe a chamada cultura de um povo.
Pode parecer exagero, mas é mais verossímil do que pode parecer. Há diversos exemplos de alguns “esquemas” que são mais comuns do que se pensa, pois não precisamos de câmeras escondidas ou denúncias anônimas para revelá-los, já que estão presentes em nosso dia-a-dia, e são praticados pela maioria de nós.
Um deles (talvez o meu “preferido”, dada a proximidade que tem com meu círculo social) é o da carteirinha de estudante falsa, que muitos confeccionam (ou compram) para ter direito ao desconto de 50% no valor de ingressos de cinemas, teatros, shows e afins. Ora, quantos de nós já não fizemos isso, ou ao menos não conhecemos alguém que o tenha feito? Estamos falando de um crime, ou no mínimo uma contravenção (se fôssemos levar a coisa ao pé-da-letra)... Falsidade ideológica (se a carteirinha for verdadeira, mas a pessoa não é estudante), falsificação de documento (se for um caso de carteirinha falsa) e estelionato. Ah, claro...Mas aí não é corrupção... Aí é um “esquema”... cuja única função, é o de lesar empresas de entretenimento. Empresas que investem no país, que geram empregos e que pagam impostos... Ah sim, mas os valores dos ingressos são absurdos! Fazemos isso como uma forma de lutar contra o maligno sistema dos preços abusivos de ingressos! Abaixo à máfia dos cinemas e shows! Que pensamento mais idiota...É exatamente o mesmo que dizer “ não concordo com o preço exorbitante de uma Ferrari, portanto, roubei uma”. Ou então, financiei-a, mas resolvi pagar apenas 50% das parcelas, pois acho que está mais do que bem pago... Quem te OBRIGOU a ir ao cinema? Alguém teria te enganado, prometendo preços de ingressos mais baixos, e não cumpriu? Não meu caro...O preço é ESTE, e se você pode pagar, aproveite..Do contrário, procure uma diversão que caiba em seu orçamento...
O pior é que todos sabemos muito bem que não se trata de uma prática fundamentada em limitações orçamentárias...Muito pelo contrário... Posso estar sendo injusto, mas nunca vi um pobre falsificando uma carteirinha de estudante para pagar meia entrada...Afinal, quem pode pagar R$ 7,50 num cinema, pode pagar R$ 15...Ou colocando de forma inversa, para ressaltar o raciocínio: Quem NÃO PODE pagar R$ 300 num ingresso do Cirque du Soleil, NÃO PODE pagar R$ 150 tampouco... Portanto, mais uma vez, não se trata de limitação financeira...Mas sim de gente que acha que está levando vantagem...Economizando...Burlando uma “falha do sistema”...
Tenho MUITOS amigos que fazem isso, e são financeiramente muito bem sucedidos, ao menos para pagar as entradas inteiras. E tenho certeza de que você, leitor, também tem alguns.
Saber fazer a conta necessária para concluir que 50% de desconto é vantajoso, todos sabem...Porém, há algumas outras continhas que nessas horas ficam além de toda a “esperteza” do brasileiro. Por exemplo, as pessoas pensam que “tudo bem” aplicar um micro-golpe como este, PORQUE o preço do ingresso é alto...Mas o que elas não percebem, é que o que apontam como causa, é, na verdade, consequência..Ou seja...O valor da entrada é caro, por conseguência do excesso de “estudantes”.. A conta é simples..As empresas sabem muito bem qual é o seu “ponto de equilíbrio”, e quanto precisam faturar para que seus investimentos sejam compensados, deixando-lhes o lucro que esperam...Por isso, na hora de confeccionarem seus preços, já consideram que um “X”% de seus clientes enquadrar-se-ão nos meio-pagantes, e assim, elevam seus preços da entrada inteira, de modo a mesmo as meias ainda constituírem valores satisfatórios... Já se sabe que se a legislação brasileira fosse diferente, capaz de regulamentar com mais critério esta questão, não seria necessário cobrar-se preços tão abusivos, pois o aumento do volume de vendas compensaria os valores menores (preços mais baixos – mais ingressos vendidos)... Mas como ainda não é o caso...Parabéns, falsos “estudantes”...Por causa de vocês, assistir ao MESMO espetáculo em São Paulo, custa mais do que em Londres, Paris e Nova York... Só que nestas outras localidades a renda per capita é só um pouquinnho superior do que a nossa, né....
Eu gosto de explorar este exemplo, pois como eu disse, é muito próximo a minha realidade...Porém, há muitos outros, conhecidos por todos nós..A “cervejinha” para policiais de trânsito, por exemplo...Quem nunca participou de uma destas “contribuições”, quer seja ativamente, quer seja presenciando quem o fizesse? E o engraçado, é que todos nós não hesitamos em chamar policiais de corruptos, agora, lembremo-nos dos conceitos de corrupção ativa e passiva...Quem é mais corrupto? O que recebe, ou o que dá? Ora, eu nunca vi um policial arrancar dinheiro de alguém...Em 99% dos casos que já presenciei (ou tomei conhecimento), existe um padrão na sequência dos acontecimentos...Algo como: abordagem – insinuação – oferta (por parte do abordado) – aceitação. Qualquer um de nós nessa hora, poderia dizer... “Desculpe-me Sr. Policial (se chamar de guarda eles ficam loucos, acreditem), mas pode aplicar-me a multa, pois tenho pressa”...Até já conheci pessoas que fizeram isso, só de pirraça, para não contribuir com este círculo vicioso...Mas a partir da vigência do novo código de trânsito, através do qual as multas passaram a ter um caráter não apenas monetário (ou seja, acarretam também nos temidos pontos na carteira), cada vez menos tenho visto este tipo de atitude...
Está muito longe do propósito principal deste texto, transmitir uma falsa imagem a meu respeito, como a de alguém que jamais praticou nenhuma modalidade de corrupção (pois não creio nas outras denominações eufemísticas). Mas pelo menos, tenho plena consciência disso, e não sou como a maioria das pessoas, que do alto de sua hipocrisia, ousam considerarem-se distintas daqueles que, no frigir dos ovos, são “farinhas” que saíram dos mesmos “sacos” que eles (liguem para o Guiness, pois creio ter atingido o recorde de metáforas culinárias numa única sentença).
Mas o que permite uma pessoa “normal”, como eu e você, praticar estes atos de forma tão natural, sem produzir uma só mácula em sua consciência? O que estaria por trás da inocência do “jeitinho”? Ora, é simples...Aqueles que o praticam, de maneira geral armazenam o fato em suas consciências associado a pensamentos do tipo “não estou fazendo mal a ninguém”.. “Não estou roubando, nem matando..”. E será que o que passa na mente de um “político corrupto” no momento de um recebimento de propina, por exemplo, é muito diferente disso? Creio fortemente que não...Esses caras, ao contrário do que muitos imaginam, não são salafrários cruéis, que riem histericamente enquanto desviam dinheiro de criancinhas famintas...Nada disso... São pais de família, gente de carne e osso, que pratica seus atos, justificando-os para suas consciências por meio dos mesmos artifícios...Seguindo a linha de raciocínio do “não estou matando ninguém....”. Mas estão matando sim (tanto os primeiros, como os segundos)..Estão matando a integridade de um povo...E funcionalidade de todo um sistema. Um Paulo Maluf, por exemplo, ao qual se atribui o bordão “Rouba, mas faz” (que, diga-se de passagem, jamais foi dito por ele próprio, e sim foi sabiamente criado por seus adversários), ao superfaturar uma obra pública, certamente mune-se deste tipo de pensamento... “Não estou fazendo mal a ninguém...Muito pelo contrário...Esta obra ajudará milhares de pessoas”...Obrigado, Paulão! Esse é mesmo o cara...
Bom, o tema é polêmico mesmo, e eu poderia ir até mais longe...Mas creio que já me fiz entender. Se você, depois de tudo isso, acha que eu estou defendendo os políticos corruptos, devo avisá-lo(a) que me interpretou erroneamente. Meu intuito foi o de tentar despertar um pouco de senso auto-crítico sobre nossas próprias ações, e dizer que enquanto esta cultura não mudar (e para isso, temos que começar escolhendo muito bem o que dizer a nossas crianças, pois da nossa geração para trás creio já não ter muito mais jeito), continuaremos permitindo que os pequenos Arrudas e Maluf’s que moram em cada um de nós prossigam com seus “esquemas” totalmente “inofensivos”, mas que tanto prejudicam o aproveitamento real do potencial que nosso país tem de ocupar de fato, um lugar entre os maiores.
PS: Só para constar: eu me formei em abril de 2009, mas minha carteirinha da faculdade tem validade até 2010...Autêntica, diga-se de passagem (e não adulterada)
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