sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Onde estamos errando...?

O presente post foi motivado por um “insight” ocorrido (ou talvez melhor estruturado) durante o último carnaval. Paradoxalmente, o tema aqui está longe de ter algo a ver com a recém-terminada festa pagã, já que se insere em um contexto de caráter profissional.
Como mencionei, embora o tema tenha sido mentalmente melhor elaborado nos últimos dias, alguns acontecimentos menos recentes já haviam contribuído para a concepção das idéias em questão.

O fato é que já há algum tempo, venho observando um padrão de comportamento por parte de pessoas da nossa “geração”, que me tem causado reflexões. Refiro-me ao fato de que cada vez mais, tenho visto pessoas de meu círculo de convivência (direto ou indireto) tomando uma decisão profissional muito semelhante, ou seja, “largando tudo” (em termos de carreira), para buscar a “segurança” de um trabalho suportado pelo âmbito familiar (quer seja na empresa do pai, em um emprego indicado por parentes, ou então através de uma sociedade com familiares, e por aí vai).

Citarei alguns os exemplos que estão mais próximos a mim, unicamente por ter um conhecimento mais concreto sobre eles. Mas sei de muitos outros, embora mais superficialmente.
O primeiro deles diz respeito a uma grande amiga minha, que se formou comigo em veterinária na USP, pós graduou-se em administração de empresas pela FGV, vindo a largar tudo após 5 anos de uma promissora carreira na indústria farmacêutica (na qual já ocupava uma posição gerencial), para entrar como sócia na empresa de arquitetura da irmã.

No segundo, a pessoa em questão tem a mesma formação (veterinária – USP, porém formada alguns anos antes, e pós-graduada stictu sensu, ou seja, com mestrado), e atuava no mesmo segmento (farmacêutico veterinário), também em um patamar condizente a seu tempo de experiência, que acabou abandonando em troca de uma posição no laticínio de seu pai.

O terceiro exemplo é bem semelhante, embora mudem algumas variáveis. Também é amiga minha, veterinária, atuando no mesmo mercado, e também largou tudo para trabalhar na empresa do pai. A diferença é que se formou em outra faculdade, um pouco mais recentemente, ou seja, digamos que “desistiu” mais cedo.

Agora um caso um pouco diferente, pois apesar da mesma formação (veterinária), esta outra pessoa não chegou a atuar no ambiente corporativo, mas sim insistiu até onde pôde na clínica veterinária propriamente dita (desde aqueles plantões em condições precárias, até ter possuído sua própria clínica em sociedade com algumas colegas de faculdade). Porém, a trajetória escolhida após o “chute do balde” foi um emprego obtido por indicação de seu pai numa corretora de valores, área na qual vem atuando até hoje.

Finalmente, cito o caso que motivou a criação do post. Neste carnaval, viajamos com dois casais de amigos, dentre os quais havia uma garota (com menos de 30 anos), que se formou em Biologia pela Unicamp, chegou até o doutorado, embora não o tenha concluído devido ao corte de sua bolsa pela FAPESP, que acabou indo trabalhar na empresa de produtos alimentícios do pai.

Tal como comentei, são casos sobre os quais possuo um pouco mais de embasamento, ou por conhecer bem as pessoas envolvidas, ou no último exemplo, por tê-lo conhecido mais recentemente. Porém, há muitos outros, e certamente o leitor há de concordar comigo, pois certamente também deve conhecer outros tantos. E não quero que pareça que o “X” da questão é que a medicina veterinária é sinônimo de caminho para a frustração profissional...A maioria dos exemplos mais concretos que tenho referem-se a esta área por motivos óbvios.. Mas conheço outros, envolvendo diferentes formações.

A pergunta que me ocorre diante disso tudo é: o que está acontecendo? Onde estamos errando?
A meu ver (como SEMPRE, com consideráveis chances de estar equivocado), nossa geração foi “enganada”... Mas não enganada no mal sentido, ou seja, com má intenção...Mas sim porque os tempos mudaram, talvez numa intensidade e velocidade jamais vistas, e diferente do ritmo com o qual vinham mudando ao longo da sucessão das gerações anteriores. E não fomos devidamente preparados para isso.

Apesar de não ter lido AINDA (pois está nos meus planos a curto prazo, e talvez eu até devesse escrever este post depois disso, mas agora já foi), o best seller “Pai Rico, Pai Pobre” (Robert Kiyosaki e Sharon Lechter), relata mais ou menos isso (e se alguém que já leu achar que estou viajando, sinta-se à vontade para comentar). Resumidamente, o livro fala de como nossa geração (na verdade, a “geração” neste caso é um pouco mais extensa, abrangendo inclusive a de nossos pais, daí o nome do livro) foi instruída, ou até condicionada, a seguir a mesma “receita” básica rumo ao êxito econômico: estudar, sempre frequentando boas escolas, tirando as melhores notas possíveis, para então ingressar nas melhores universidades, especializando-se ao máximo, para aí sim, conquistar o “lugar ao sol”....Que por sua vez, nada mais é do que um bom emprego, ou uma sequência deles. Só que a história não é tão simples (pelo menos hoje não mais).

No livro, o autor relata que o pai “rico” (que na verdade era o pai de um de seus amigos) não seguiu este caminho, mas sim o de aproveitar as verdadeiras oportunidades do mercado, de forma empreendedora e estratégica, não se preocupando com as “receitas” tradicionais, e galgando seus degraus rumo ao sucesso. Já o pai “pobre” (do próprio autor), fez o oposto, ou seja, seguiu todo o “protocolo”, mas não obteve lá grandes conquistas (ao menos do ponto de vista financeiro).

Não me aterei ao livro, primeiro porque não o li, e quanto mais o menciono, aumenta significativamente a probabilidade de que eu fale alguma bobagem, e segundo, porque não é exatamente a idéia que eu pretendo defender aqui. Só o citei, porque no que se refere à “causa” deste comportamento que relato, ou seja, a migração do nosso próprio caminho (ou da nossa geração) para aquele em que seguimos as pegadas de nossos pais (ou familiares mais velhos), procurando abrigo sob suas asas, é a mesma...Ou seja, esta “enganação bem intencionada” à qual fomos submetidos.

Não podemos culpar nossos pais, pois como sempre, querem o melhor para nós. Porém, o que está em discussão aqui não são intenções, mas sim fatos. Quantos de nós não seguimos esta “receita para o sucesso” até hoje? Ou melhor, quantos NÃO seguimos, e fomos orientados por idéias diferentes? Imagino que pouquíssimos. O “passo a passo” que por ANOS nos foi doutrinado, ainda que às vezes com variações, é um só: estudar muito, escolher uma boa “profissão” (só vale o que se ensina na faculdade...Se não se ensina em faculdade, não é profissão), entrar numa boa Universidade e conseguir um bom emprego. Quem conhece algum jovem (esqueçamo-nos dos sonhos infantis... Estou falando de jovens em fase de planejamento de carreira, às vésperas de um vestibular, por exemplo) que pensa em ser empresário (salvo aqueles já predestinados a ocupar a cadeira do pai), consultor, investidor da bolsa, ou até mesmo vendedor?

É aí que as coisas começam a se complicar... Muitos de nós cumprimos com primazia o percurso, passo a passo, sem tirar sequer um pé da trilha...Só que o pote de ouro, a casinha no campo com cerquinha branca e cachorro, a casa na praia, ou a ampla sala com cadeira de encosto alto e rodinhas, no topo de um arranha-céu da Av. Berrini, não estavam lá... E agora? O que deu errado?

A resposta parece simples e óbvia, e pode ser resumida através do famoso jargão: “Os tempos mudaram...”. Agora, uma das primeiras das diversas indagações que faço ao longo deste texto é: SERÁ que foram mesmo “os tempos”....? Ou teríamos sido NÓS que mudamos? Será que a proporcionalidade entre a mudança da nossa geração com relação à de nossos pais foi TÃO diferente assim da deles com relação à de nossos avôs, por exemplo?? Será que ELES (nossos pais) também não diziam coisas em sua juventude como “os tempos mudaram...” e “na época de nossos pais era tudo tão mais fácil....”? Sinceramente, não sei....E por isso, pergunto.

Ok, deixarei o tom propositalmente provocativo de lado, e analisarei mais objetivamente a questão. De fato, eu acredito SIM que esta relação da proporção entre as mudanças inter-gerações provavelmente seja desigual, ou seja, o ritmo e intensidade das mudanças (tal como mencionei anteriormente) parecem ser mais intensos agora, do que foram nas gerações anteriores. PORÉM, eu acredito TAMBÉM que muita gente se apóia nesta “muleta” para desistir muito facilmente de seu próprio caminho... Não sou só eu quem diz, pois se você alguma vez já leu algo sobre a chamada “Geração Y”, ou seja, a geração pós-década de 80, viu que se trata de pessoas bastante impacientes e “infiéis” do ponto de vista profissional, ou seja, se não obtém o resultado esperado e de forma rápida, já tratam logo de mudar de rumo.

Quero deixar claro que não desaprovo ou condeno quaisquer das decisões que relatei em forma de exemplos anteriormente...Não tenho direito algum de julgar o que cada um quer para si. Ninguém tem, a não ser a própria pessoa. Porém, é fato que às vezes fico um pouco frustrado “por tabela”, ao ver pessoas de tanto potencial, capacidade e conhecimento, praticando o que EU chamo de desistência, correndo para baixo das asas dos pais (ou quem os valha), para viver dos frutos de seu suor, trabalho, sofrimento, e às vezes até do investimento de toda uma vida, ao invés de irem atrás de suas próprias conquistas.

Não quero ser mal interpretado, portanto, vou esclarecer ainda mais. Não estou dizendo que estamos “condenados” a lutar para sempre, presos à nossa primeira opção profissional (que, diga-se de passagem, no Brasil é feita assustadoramente cedo, aos 17 anos de idade)...Sou totalmente favorável à quebra dos limites impostos por aquela “receita” (como por exemplo, o da formação, ou “profissão”), visando o máximo aproveitamento de nosso REAL potencial, capacidade e vontade de crescer. Porém, o que não gosto de ver, são pessoas fazendo isso não por vontade própria ou por opção...Mas sim por FALTA dela...Ou seja, “nada deu certo, então vou trabalhar com meu pai”. Isso sim, para mim, é um pouco indigesto...Especialmente quando visto em pessoas que têm TUDO para ir MUITO longe...

Não quero fazer parecer com que todo este relato seja fruto de uma frustração MINHA, por não ter tido uma “asa” sobre a qual me esconder, até porque, como eu disse, da mesma forma que TENTO não julgar os outros, tento não fazê-lo comigo mesmo, ao menos não empiricamente. Ou seja, só EU sei o que eu faria se me deparasse com uma oportunidade dessas, e mais ninguém. E como quem me “acompanha” já sabe, não sou muito adepto da filosofia do “se”.

Finalmente, gostaria de dizer que admiro muito a sucessão familiar nas empresas, desde que devidamente planejada e aspirada, ou seja, tomada (pelo sucessor), como algo desejado, para o qual houve uma preparação...E não algo do tipo “não tem tu, vai tu mesmo”... Até mesmo porque a maioria dos empreendedores que constrói algum tipo de negócio faz isso pensando em deixá-lo a seus descendentes. E com relação aos nossos pais, estes só não nos alertaram de que “os tempos mudaram” antes, porque nem eles mesmos perceberam isso... NÓS é que estamos sentindo o gosto amargo desta mudança em nossas próprias gargantas, e ainda estamos aprendendo a lidar com isso... A minha esperança, é que tenhamos conhecimento e tempo hábil suficiente para prepararmos a cabeça de NOSSOS sucessores de uma forma um pouco mais alinhada a sua realidade. E é aí que mora o grande desafio.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Você faria tudo novamente....?

O post a seguir foi motivado por uma conversa que tive recentemente com uma pessoa cuja identidade é irrelevante (no que se refere à confecção do texto, claro)...Como sempre, as idéias nele contidas não são novas...Mas sim a vontade (e as ferramentas) para expressá-las...

A intenção aqui é unicamente a de comentar um tipo de indagação muito comum nos diálogos cotidianos, especialmente naqueles em que são relatadas experiências pessoais marcadas por escolhas e decisões importantes. No meu caso, costumo ouvir bastante esta pergunta (ainda que atualmente com uma frequência um pouco menor), em virtude de ter cursado (e concluído) duas faculdades. Claro, não só por isso, mas também devido a algumas decisões tomadas num passado recente, relacionadas a uma mudança de emprego (e cidade), dentre outras. Mas a dupla graduação acaba sendo de fato a causa mais comum.

Na verdade, o que geralmente ouço são variações da mesma pergunta, tais como:

“Se pudesse voltar atrás, faria veterinária novamente?”

“HOJE (enfaticamente), você faria Administração de novo?”

“E se você pudesse voltar atrás, com a cabeça que tem hoje...? Faria novamente os dois cursos?”

E por aí vai...

Antes de comentar, analisemos o real significado deste tipo de questionamento.

Quando alguém pergunta, referindo-se a uma decisão tomada no passado, se faríamos tudo da mesma forma novamente, ela na verdade está munindo-se, conscientemente ou não, das seguintes SUPOSIÇÕES:

1) Ser possível voltar no tempo;
2) Voltar no tempo, munido de todo o conhecimento acumulado no período que transcorreu (“com a cabeça que você tem hoje”)
3) Voltar no tempo, com o conhecimento adquirido e com a possibilidade de fazer as mesmas escolhas do passado.

Agora leia novamente com muita atenção as suposições acima... Ora, será que este tipo de pergunta é pertinente...? Porque veja bem: Quando uma pessoa me pergunta se caso eu “voltasse atrás”, eu faria veterinária e/ou administração novamente, antes de responder qualquer coisa, costumo repassar mentalmente estas suposições, para então dizer: CLAAAAARO QUE NÃO!

Meu amigo, você ACHA que se eu pudesse voltar a 1999 (quando entrei na primeira universidade), sabendo TUDO o que sei hoje (“com a cabeça que tenho hoje”), eu faria faculdade disso ou daquilo?? Nove anos de estudo, para ainda ficar ralando por um "lugar ao sol"...??Isso seria pensar muito pequeno, e desperdiçar uma ENORME oportunidade!

Eu compraria ações da Google!! Lá por volta de 1999 ou 2000, quando ela ainda era um pequeno site de buscas! Ou então, criaria um site para upload e disponibilização de vídeos na internet, e venderia por alguns milhões de dólares para a primeira empresa que aparecesse, muito antes dos donos do You Tube sequer sonhassem em fazê-lo... E muito mais! Idéias não me faltariam nesses 10 anos que eu REviveria... Aí sim, só para não ficar com uma mente ociosa, eu até faria algum curso superior....Talvez gastronomia, música ou turismo...Veterinária???? Administração??? Tá louco... Mas será que isso significa que sou um profissional frustrado? Acho que não, né....

Alguns podem estar pensando que estou viajando....E de fato estou...Mas só porque a viagem MESMO está na pergunta...Estou apenas ilustrando a forma pela qual geralmente eu respondo a este tipo de coisa, como sinal de protesto diante de uma “discussão” que julgo totalmente improdutiva.

A vida é feita de escolhas, desde seus primeiros momentos... E não sei quanto a você, mas EU não gosto de ficar martelando minha cabeça com aquelas que NÃO fiz....Pensando nos famosos “e se’s”. É como dizem alguns sábios conhecidos meus, adeptos da cultura popular: “Se minha avó fosse uma carreta, eu teria 16 rodas”...Ou então, “Plantei 10 pés de “se” lá no fundo de casa, e até agora não vingou nenhum...”.

Ou seja, quer perguntar se eu faria igual ou diferente, fique à vontade... Agora, que fique claro (pelo menos para mim é), que se trata de uma pergunta “viajante” e fantasiosa, do tipo: “E se a lua fosse mesmo feita de queijo?”...ou.. “Se você pudesse ser um animal, qual você seria...?”. E não uma pergunta de caráter “analítico”, de quem está tentando deixá-lo inseguro de suas próprias escolhas, ou tentando encontrar algum tipo de arrependimento, como forma de amenizar o SEU próprio (de quem pergunta), por ter deixado de fazer suas escolhas e ter tomado suas próprias decisões na vida...

E aí...? Se você pudesse escolher, leria este texto de novo...?rs

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Trade Off's da Balada

Esta é uma das minhas teorias que classifico como de “importância menor”...Não que as demais façam tanta diferença assim na vida alheia...Mas é que esta é um pouco mais tosca mesmo...Dessas que eu costumava “pregar” ora em mesas de bar, ora em horários de descontração nos tempos de faculdade (Adm), na presença meu então fiel seguidor, Bielzinho “Bahia” Veronese.

Antes de mais nada, cumpre-me transmitir (a quem não sabe), ou relembrar (para quem algum dia já viu) o conceito de trade-off, para que a idéia central do texto possa ser devidamente compreendida.

Trade-off nada mais é do que uma troca, na qual ao obter-se algum ganho ou evolução em algum aspecto, perde-se noutro, proporcionalmente. Aprendi este conceito na aula de Macroeconomia há alguns anos, quando, através da curva de Phillips, conhecemos o trade-off entre inflação e taxa de desemprego (no curto prazo). Em resumo, ela mostra que a cada ponto decrescido na taxa de inflação, aumenta-se em um ponto a taxa de desemprego (e vice-versa). A razão disso não vem ao caso agora, pois o objetivo aqui não é o de fazer uma revisão sobre Macroeconomia, mas sim o de fazer-me entender. O que deve ficar é: ganhou um ponto aqui, perdeu um ali.
Pois bem, tendo-se feito este nivelamento de conhecimentos, podemos prosseguir com a assim chamada (por falta de denominação melhor), teoria...

O conceito (ou, a aplicação dele a uma situação real) surgiu em minha cabeça em um momento em que eu, no auge de minha solteirice, costumava frequentar as mais diversas baladas de São Paulo, com destaque para algumas com temática dançante. Ora músicas latinas (salsa, zouk, merengue, etc.), ora samba-rock, ou até mesmo algumas de ritmos “avulsos”...Foi quando comecei a perceber que algumas pessoas (nas quais me incluo, tal como faço em todas as minhas teorias) tinham certa dificuldade para administrar alguns destes trade-off’s.

O primeiro deles é o trade-off desinibição X coordenação motora, aplicado à dança (vide gráfico ao final). A idéia é simples...Se você é tímido, e geralmente precisa lançar mão de um fator exógeno de desinibição (destes que se vendem em doses) antes de lançar-se numa empreitada dançante, certamente você já se viu diante dele...A cada ponto que você ganha no eixo da desinibição, o que lhe permite iniciar o processo (ou aprimorá-lo), você perde o mesmo ponto no eixo da coordenação motora, o que, caso não se encontre um certo equilíbrio entre ambos, acaba por inviabilizar todo o processo, provocando ou uma situação demasiadamente vexatória, ou minimamente eficaz. Ou seja, ou você ficará sóbrio, porém “travado”, ou ficará “solto”, porém, totalmente descoordenado..Pisoteando os pés de seu par, e rindo muito disso. Parece óbvio, mas a obtenção deste ponto de equilíbrio é um desafio...

Outro trade-off (que poderia até ser considerado uma variação do mesmo), é o coragem (ou desinibição mesmo) X retórica e argumentação amorosa. Só que neste caso, ao invés da dança, a técnica a ser trabalhada é a da conquista...(ou do xaveco, para os menos sofisticados). Ou seja, a cada ponto de coragem ganho, perde-se um de eloquência, coerência de idéias, criatividade, etc. Enfim, involui-se na assertividade amorosa, o que compromete diretamente o processo de comunicação direcionado à conquista da outra parte...E é justamente a má administração deste trade-off que causa situações como a do bêbado que chega totalmente autoconfiante, proferindo pérolas tais como: “Oi...que tal tomarmos alguma coisa juntos....tipo um banho..?” Ou então o criativo e eloquente, que fica no canto, observando com mil idéias de abordagem na cabeça, esperando a hora certa chegar, até que o que chega é a hora de ir embora...

Como eu disse, se você é no mínimo um pouco tímido, ou então não é nenhum cara-de-pau de marca maior (essa é sua hein baianinho), tipo um Remi Gaillard, certamente você já vivenciou algum destes trade-off’s...Quem sabe na próxima vez, munido da consciência de que eles não só existem, como também interferem diretamente em nossas vidas, você não consiga administrá-los com mais “eficiência e eficácia” (já que é pra lembrar das aulas de Adm, achei por bem encerrar com o maior clichê de toda a história da Administração moderna)

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