sábado, 22 de maio de 2010

A futura "Sessão da Tarde"

A vantagem deste blog não contar com leitores assíduos, mas sim com uma “meia dúzia” (daquelas compostas por quatro ou cinco) que o visitam esporadicamente mediante aviso de atualização - só para não fazer desfeita ao amigo-, é que isto me exime da responsabilidade de manter uma periodicidade fixa de postagens. Em outras palavras, sim, faz muito tempo que eu não passo por aqui...Mas o que importa é que cá estou para compensar, ainda que parcialmente, esta ausência.

Um dos fatores que me afastou um pouco das postagens foi o teor de densidade/ complexidade que eu sempre exigi de mim mesmo no que se refere a seu conteúdo...Isto requer inspiração para escrever, que nem sempre vinha, ou então até vinha, mas não suficientemente intensa a ponto de vencer a força que a ela se opõe diretamente: a preguiça...

Dessa forma, uma medida (paliativa) para contornar este impasse, foi baixar um pouco o nível de seriedade, e discorrer sobre um tema um pouco mais “leve” e menos polêmico...Assim, o ponto central deste texto será o entretenimento (cinema, mais precisamente).

Já faz algum tempo que tenho observado que o mercado de filmes tem apostado cada vez mais na ressurreição de “novos clássicos”....Filmes da década de 80 (ou um pouco antes/depois) reinventados...Quer seja por meio de refilmagens (mesmo enredo, com elenco renovado ou não), quer seja por sequências. Exemplos: Indiana Jones, Rocky VI, Rambo IV, dois novos Hulks, King Kong (embora neste caso se trate de uma refilmagem da versão original da década 30, foi também um sucesso do final da década de 70), dentre muitos outros, e ainda muitos mais que estão por vir...

Confesso que sempre que ouço falar de alguma dessas “reinvenções”, fico um pouco ressabiado, e ao mesmo tempo temeroso....E o medo aqui é um só: o de que de alguma forma elas comprometam a imagem de algo que já está muito bem consolidado em minha memória...Quer seja um filme, um personagem, uma história, uma “saga”...Enfim, boas lembranças, de fatores que de alguma forma me divertiram ou até educaram, em uma fase crucial no processo de formação de um caráter...A infância/adolescência.

A primeira vez que ouvi dizer, há alguns anos, que produziriam uma nova sequência da série Indiana Jones, este sentimento veio-me à tona. Na ocasião, lembro-me de ter perguntado: “E que papel terá Harrison Ford? O da relíquia? Será encontrado pelo novo protagonista e então desenterrado e varrido com uma daquelas vassourinhas de arqueólogo para tirar a poeira?” Isso porque sempre fui fã do Indy (Dr. Jones), daqueles que tinham muitas dificuldades em apontar qual de suas três grandes aventuras era a melhor...Bem, agora posso dizer com facilidade qual das quatro é a PIOR (a mais recente evidentemente, embora até que a tenha achado divertida). Mas o intuito aqui não é o de fazer resenhas de filmes, portanto, por hora chega de Dr. Jones.

Outros exemplos que me trouxeram grande preocupação foram os dois que citei do Stallone...Se em Rocky V eu já o achava meio decadente, fiquei tenso ao imaginar o que seria dele agora, mais de 15 anos depois, e quase sexagenário. Iria lutar contra quem? Só se fosse contra um poderoso oponente alemão chamado Alzheimer... E o Rambo então? Se na primeira versão (First Blood) de 1982, ele já era um veterano de guerra atormentado e sozinho no mundo, imaginem agora, em 2008, 26 anos depois, com seu único amigo já falecido (Cel. Trautman). O que seria dele? Viraria um daqueles “vets” loucos e barbudos que pedem esmola na rua? O meu herói de infância (já que ele “nasceu” menos de um ano depois de mim), que foi a inspiração de incontáveis batalhas com fita vermelha na testa e metralhadora .50 imaginária que disparava berros de “rá tá tá” que aterrorizava os vizinhos?

Para terminar a parte dos exemplos, seguem mais dois que ouvi recentemente, que ainda sequer saíram, mas já estão no “forno”, devendo ser concluídos no próximo ano: O terceiro filme da série “Os Caça-Fantasmas” (só espero que não deixem o Geléia de fora), e a produção de um longa de ninguém menos do que Mc Gyver (o agente que era capaz de fabricar uma bomba de nêutrons utilizando uma caixa de fósforos, uma lata de spray de cabelo e seu inseparável canivete suíço).

Analisemos a questão do ponto de vista mercadológico. Embora a refilmagem de clássicos não seja nenhuma “invenção da roda”,ou seja, sempre esteve presente no mundo cinematográfico, a meu ver, toda esta questão está relacionada a um fator talvez mais recentemente descoberto pelos gestores dos grandes estúdios, que é a ciclicidade do comportamento de seus clientes-alvo. As crianças da década de 70-80, que se encantaram e inspiraram por seus heróis hollywoodianos, cresceram, e hoje fazem parte da população economicamente ativa. Trabalham, ganham seu dinheiro, e consomem, sem a necessidade do consentimento de seus pais... E consomem MUITO. E ao se depararem com produtos que de alguma forma tragam à tona todas aquelas lembranças do passado, de seus antigos ídolos, não hesitam em prestigiá-los (o que significa não ter dó de gastar dinheiro com eles). E melhor ainda! Os pais, que consumiam muitos destes produtos “por tabela”, ou seja, no intuito de disponibilizá-los a seus filhos, acabaram também virando fãs de muitos deles, enquadrando-se, portanto, também nesta fatia de novos-velhos clientes....E as crianças ou jovens de hoje? Seriam excluídos deste segmento de mercado? De maneira alguma...A gestão de produtos neste caso costuma ser eficaz o suficiente para adaptá-los a todos os públicos, de maneira que o expectador de um “Rocky VI” não necessariamente precisa saber que ele tinha uma esposa chamada Adrian, que ele levou uma surra de Clubber Lang, de quem só veio a vencer na revanche, ou que Ivan Drago nocauteou até a morte o seu ex-oponente e posterior grande amigo, Apolo Creed, para que possa se entreter...Isso sem contar os filhos da geração de 80 que aí sim, na contra-mão do fluxo descrito acima, acabam sendo os consumidores “por tabela”, perpetuando o ciclo.

Independentemente de qualquer coisa, o fato é que este sentimento nostálgico faz com que esta estratégia mercadológica seja eficiente. Isso porque por mais conservador ou crítico que seja o consumidor, ele prestigiará com toda a certeza estas novas produções. Eu nunca vi alguém dizer: “Nossa, não vou nem assistir a este filme para não me desapontar e destruir as boas recordações que eu tenho desta série”...Ouvi sim, e muito, pessoas dizendo: “Decepcionei-me”. Mas aí já tinham visto...Já tinham CONSUMIDO...E exatamente por isso, esta “decepção” não é algo que chega até aqueles que dependem dos números das bilheterias, muito pelo contrário.

Eu mesmo, por mais que fique com um pé atrás diante do anúncio do renascimento de um “novo-clássico”, nunca deixo de conferi-lo. Aliás, alguns deles eu até gostaria mesmo de ver (ou melhor, rever) de maneira que se pudesse, faria algumas sugestões aos estúdios de Hollywood.

Por exemplo, quão legal não seria ver uma sequência de “Curtindo a Vida Adoidado”?? Um CLÁSSICO da Sessão da Tarde, que marcou a vida de tantos de nós...Sugestão de roteiro: Ferris Bueller, agora um homem maduro e sério, ironicamente trabalha como diretor de um colégio, e vive uma vida infeliz, por sentir que seu espírito rebelde foi morrendo gradativamente ao longo dos anos. Agora, um dos alunos aparentemente está aplicando o mesmo “golpe” que lhe consagrou em seu último ano de colegial, e ninguém melhor do que ele próprio para tentar descobrir, com base na investigação de táticas que ele mesmo inventou, até que ponto o aluno está ou não dizendo a verdade...E melhor ainda! O aluno problemático poderia ser filho de ninguém menos do que Cameron Frye, seu antigo (e super caxias) melhor amigo, que destruiu Ferrari 250 GT 1960 de seu pai (uma das 55 fabricadas)...Que de alguma forma, definitivamente deveria aparecer no filme, restaurada e nova em folha....

Ou então, que tal um novo Goonies?! Todos já adultos e com filhos... Talvez eles se lançassem em alguma aventura para tentar reencontrar o velho Sloth, banido da sociedade em função de sua monstruosidade, vivendo isolado em alguma floresta... Ou quem sabe um “Top Gun – A missão”, no qual o Maverick (Tom Cruise) lideraria uma esquadrilha de F-22 (ao invés daqueles velhos e obsoletos F-14) em uma missão no Afeganistão, para resgatar seu ex-rival, “Iceman”(Val Kilmer), que após ter ejetado em território inimigo, foi mantido como prisioneiro? Ou quem sabe um histórico reencontro do filho do pequeno Elliott (agora já grande) com seu amigo extraterrestre, em “E.T. – Generations”? .Enfim, as possibilidades são infindáveis...

Se você, leitor, é contemporâneo meu (geração 80), talvez tenha se sentido um pouco “velho” com toda essa conversa... Pois não se sinta... Porque velho MESMO, eu vou me sentir quando ouvir falar sobre a refilmagem do “clássico” AVATAR... Já posso até imaginar os comentários: “Aquele, que marcou época por utilizar efeitos toscos em 3D, que requeriam aqueles óculos ridículos...”. Aí sim... Até lá, vou curtindo a vida adoidado...

Um comentário:

  1. texto inicialmente mto acadêmio, não irei comentar, até pq nao faço parte dessas lembranças históricas...rs
    Abcs

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